Todos nós, em algum momento, já tomamos decisões que depois parecem não ter sido acertadas. Muitas vezes, a raiz desses equívocos está em crenças antigas ou mal compreendidas sobre emoções. Em nossa experiência, notamos como essas ideias podem direcionar escolhas corriqueiras, minar relacionamentos e até atrapalhar planos profissionais. Hoje queremos refletir sobre dez crenças bastante comuns e, por vezes, prejudiciais, que influenciam o modo como decidimos, muitas vezes sem perceber.
1. Emoções são sinal de fraqueza
Em muitos ambientes, ouvir frases como “não se deixe levar pela emoção” é quase rotina. Acreditar que demonstrar ou sentir emoções é sinônimo de fraqueza torna as relações mais frias e limita a comunicação autêntica.Sentir é humano e admitir emoções pode ser um sinal de maturidade. Reprimir o que se sente não nos torna mais fortes; apenas cria uma distância de quem somos e dos outros.
2. Controle total é possível
O desejo de dominar cada emoção é antigo. “Se eu tentar mais, consigo não sentir raiva”, ouvimos algumas pessoas dizerem. No entanto, tentar eliminar emoções só gera mais tensão interna. Boas decisões vêm de reconhecer o que sentimos, e não de negar. Aceitar que parte do processo de viver é lidar com sensações desconfortáveis já remove metade do peso.
3. Emoções atrapalham decisões racionais
Ainda existe a crença de que sentimento e razão não podem andar juntos. A verdade é que tomamos decisões melhores quando consideramos tanto nossos afetos quanto os fatos. A emoção dá cor, contexto e sentido à racionalidade.
4. Algumas emoções são erradas
Frequentemente ouvimos que raiva ou tristeza precisam ser evitadas. Podemos até tentar, mas elas continuam aparecendo, principalmente em momentos críticos. Cada emoção tem sua função e, quando compreendida, pode trazer clareza ao que vivemos. Até a raiva pode ser sinal de limites ultrapassados.
O que não é sentido, retorna disfarçado.
5. Expressar emoções sempre leva a conflitos
Muitos evitam demonstrar como se sentem para não gerar discussões. Porém, guardar tudo só aumenta a chance de explodir no futuro. Aprendemos que, na maioria das vezes, quando expressamos com respeito, criamos espaço para entendimento. O segredo não é evitar a emoção, mas comunicar de modo construtivo.

6. Ignorar faz a emoção desaparecer
O velho hábito de empurrar sensações para debaixo do tapete raramente funciona. Ignorar o que está acontecendo dentro de nós provoca tudo, menos alívio. É como uma panela de pressão: quanto mais bloqueamos, maior a explosão futura. Sentir e entender é mais saudável do que negar.
7. Boas decisões não envolvem sentimentos
Escolher o que vestir, aceitar um convite, recusar uma proposta... Sentimento está presente em todos esses momentos, mais do que admitimos. Em nossas escolhas cotidianas, as emoções funcionam como bússolas internas. Quando reconhecemos, a chance de arrependimento diminui.
8. Só algumas pessoas sentem demais
Certas pessoas são rotuladas de "sensíveis" e outras de "racionais". No fundo, todo ser humano é atravessado por afetos. O que varia é a forma de demonstrar. Acreditar que ‘sentir muito’ é problema e que só alguns são assim separa e isola. Reconhecemos que sentir é universal.
9. Emoções são incontroláveis
É comum ouvir: “Não tinha como evitar, perdi o controle”. Embora não possamos escolher o que sentimos, podemos sempre escolher o que fazer depois de sentir. Autorregulação não é ausência de emoção, mas consciência e escolha.

10. Sentir medo, tristeza ou insegurança é fracasso
Vivemos numa cultura onde só há espaço para o otimismo e a coragem. Mas, ao não dar espaço para outras emoções, acabamos exigindo de nós mesmos uma perfeição impossível. Sentir medo, tristeza ou insegurança mostra que estamos conectados à vida e atentos ao que realmente importa. Ninguém precisa fingir o tempo todo. Quem reconhece limites, protege a própria saúde mental.
Como essas crenças se formam e se mantêm
Crenças sobre emoções nascem cedo. Famílias, escolas e grupos sociais ensinam, através do exemplo e da fala, o que é admitido ou reprovado sentir. O ciclo se repete quando não questionamos ou buscamos novos olhares. Em nossa vivência, vimos que refletir sobre o que acreditamos é o primeiro passo para mudar escolhas e decisões.
Impactos das crenças emocionais no cotidiano
Essas ideias influenciam pequenos e grandes momentos. Podem impedir alguém de pedir ajuda, dificultar conversas, gerar estresse e até acessos de raiva. Uma decisão tomada na pressão, sem considerar o que sentimos, tende a cobrar um preço mais alto depois.
Muitas vezes, não erramos pelo que sentimos, mas por fugir ou negar esse sentir.
Afastar-se das próprias emoções nos faz agir no piloto automático. Isso leva a decisões que fogem do que realmente buscamos.
O caminho para escolhas mais saudáveis
Quando desmistificamos crenças antigas, abrimos espaço para cuidar melhor das emoções. Isso significa aprender a nomear o que se sente, compartilhar sem culpa e tomar decisões de modo mais consciente. Pequenos passos como escrever sobre o dia, conversar com alguém de confiança ou fazer pausas para respirar já criam outras possibilidades.
Conclusão
Ao identificarmos e questionarmos essas crenças, começamos a construir relações mais autênticas, escolhas mais alinhadas com o que realmente importa e menor sofrimento no caminho. Sentir não é obstáculo, mas recurso para uma vida mais íntegra e decisões mais justas consigo e com os outros.
Perguntas frequentes
O que são crenças sobre emoções?
Crenças sobre emoções são ideias ou convicções que carregamos sobre o que significa sentir, expressar ou lidar com sentimentos. Elas são aprendidas ao longo da vida e moldam a forma como reagimos às próprias emoções e às dos outros.
Como as emoções influenciam decisões diárias?
As emoções estão presentes em grande parte das escolhas que fazemos, das mais simples às mais complexas. Elas afetam nossas percepções, prioridades e reações, guiando o modo como interpretamos situações e escolhemos caminhos a seguir.
Por que acreditar em mitos emocionais faz mal?
Acreditar em mitos emocionais pode levar a julgamentos rígidos, repressão de sentimentos e decisões menos conscientes. Esses mitos dificultam o autoconhecimento e podem causar sofrimento prolongado.
Como identificar crenças erradas sobre emoções?
Podemos identificar crenças erradas ao prestar atenção em frases recorrentes, comportamentos automáticos ou desconfortos persistentes relacionados ao sentir. Refletir sobre padrões familiares e questionar antigas "verdades" já é um começo.
Como lidar melhor com minhas emoções?
Lidar melhor com emoções envolve reconhecer e nomear o que se sente, abrir espaço para conversar sobre isso e buscar formas saudáveis de expressão. Aprender a escutar o corpo e dar significado ao que sentimos ajuda nas decisões e relacionamentos.
